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Política

Último debate entre Lula e Flávio Bolsonaro tem pedido de desculpas por "9 dedos" e 2h30 de acusações de corrupção

Na Globo, os candidatos discutiram privatizações, segurança e gastos públicos em quatro blocos; o senador se desculpou depois de chamar o presidente de "9 dedos", e Lula o chamou de "miliciano". O segundo turno é neste domingo (25).

Por Redação RecortNews
Urna eletrônica brasileira do modelo UE2020, em imagem de divulgação do Tribunal Superior Eleitoral feita em 2021. O segundo turno da eleição presidencial é neste domingo, 25 de outubro.
Urna eletrônica brasileira do modelo UE2020, em imagem de divulgação do Tribunal Superior Eleitoral feita em 2021. O segundo turno da eleição presidencial é neste domingo, 25 de outubro.Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE, via Wikimedia Commons, domínio público

O último debate da eleição presidencial de 2026 terminou como começou: com os dois candidatos falando mais do passado um do outro do que do que pretendem fazer a partir de 1º de janeiro. Na noite desta sexta-feira (23), na TV Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ficaram quase duas horas e meia no estúdio, divididos em quatro blocos, com mediação do jornalista César Tralli. Foi o segundo e último encontro entre os dois no segundo turno — o primeiro foi na TV Bandeirantes, em 18 de outubro. A votação é neste domingo (25).

O formato tentou conter o tom. Nos três primeiros blocos, cada rodada tinha três minutos e um tema definido — o primeiro deles organizado por regiões do país —, e valia uma regra apelidada de "antideboche": quem não estava com a palavra não podia circular pelo palco. O quarto bloco era livre, com oito minutos para cada candidato e nenhum limite de intervenções. Foi ali, segundo o relato da CNN Brasil e do Metrópoles, que as acusações de corrupção ocuparam o maior espaço.

O episódio dos "9 dedos"

O momento mais citado da noite veio de uma frase de Flávio sobre os programas sociais do governo: o presidente, disse o senador, "dá com uma mão e tira com os nove dedos" — referência à mão esquerda de Lula, que perdeu um dedo em um acidente de trabalho na juventude.

No bloco seguinte, Lula usou o direito de resposta para cobrar retratação. "Me chamou de nove dedos, se alguém aqui nesse púlpito que sabe o que é trabalho sou eu", afirmou, antes de emendar: "Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos." Flávio recuou e pediu desculpas — "Se eu ofendi, eu te peço desculpas, não queria te ofender" — e, por sua vez, ganhou direito de resposta depois de ter sido chamado de miliciano, tempo que usou para criticar o que classificou como propostas "ultrapassadas" do adversário.

Corrupção de lado a lado

No bloco livre, Flávio acusou Lula de ter recebido de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, "um uísque Macallan que vale meio milhão de reais". Lula negou e devolveu a proximidade com o ex-banqueiro: "Você e Vorcaro parecem uma coisa só." Em seguida propôs um desafio: "Faço outro desafio, eu e você, amanhã, abrir as contas minha e sua para que a Justiça apure."

O presidente questionou a origem do dinheiro de uma casa de R$ 5,9 milhões do senador, que respondeu ter ganhado o valor como advogado. Flávio, por sua vez, cobrou a abertura dos gastos com o cartão corporativo da Presidência e rebateu com perguntas sobre o patrimônio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que Lula tratou como já respondidas.

Governos comparados

Na parte propositiva, a disputa foi de números. Lula afirmou que o governo anterior gastou mais que o seu — "eles gastaram quase 30% a mais do que nós", disse, mandando o eleitor conferir os dados — e citou R$ 1,7 trilhão em investimentos. Flávio descreveu um "cemitério" de obras paradas, chamou o Bolsa Família de "bolsa-farelo" (e pediu desculpas quando Lula cobrou) e propôs congelar dívidas de famílias e empresas. Também defendeu a autonomia do Banco Central aprovada no governo de seu pai, que Lula criticou.

Houve uma inversão digna de nota. Nos planos de governo registrados na Justiça Eleitoral, resumidos pela Agência Brasil na manhã da sexta, o senador aparece propondo retomar privatizações, e Lula, fortalecer as estatais. No debate, Flávio disse que não fará privatizações — e Lula o acusou de preparar um "tesouraço".

Segurança e o caso Ana Clara

A segurança pública rendeu o trecho mais duro. Flávio prometeu penas mais severas, castração química para estupradores, retomada de territórios dominados por facções e a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas: "Vou tratar bandido como bandido." Lula defendeu reforçar as polícias e atacar milícias e tráfico, e acusou o adversário de ligação com milicianos: "Vocês não conseguiram acabar, vocês se associaram." Fechou com a frase que resumiu sua estratégia da noite: "Ou a gente mantém a democracia funcionando ou vamos ter um miliciano dentro do Palácio do Planalto."

A campanha de Lula levou à plateia a mãe de Ana Clara, menina de 5 anos morta por um tiro de fuzil. Cobrado sobre o caso, Flávio disse se solidarizar com a mãe e afirmar que busca a identificação de quem atirou.

O que as pesquisas dizem

A conta eleitoral explica o tamanho da briga. No primeiro turno, Flávio teve 47,03% dos votos válidos, mais de 56 milhões, contra 45,16% de Lula, 53,8 milhões. O Datafolha de 22 de outubro mostrou 47% para o senador e 46% para o presidente — empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos —, o que equivale a 50% a 50% nos votos válidos. O instituto Veritá divulgou 51,3% para Flávio e 48,7% para Lula entre os válidos.

A última rodada de pesquisas sai neste sábado: AtlasIntel por volta das 18h e Datafolha às 18h45, com 4.050 entrevistas feitas na sexta e no sábado. Quaest, Colectta, Futura/Apex, Gerp, Instituto Franca, MDA, Nexus/FSB/BTG, Palver e Simplex também têm divulgação prevista.

Com informações de CNN Brasil, Metrópoles, O Tempo, Agência Brasil e Brasil de Fato.