A Meta informou na quarta-feira, 21 de outubro de 2026, que a receita do terceiro trimestre cresceu 26% em um ano, para US$ 64,60 bilhões, acima dos cerca de US$ 63,3 bilhões esperados pelos analistas. Os números mais chamativos do trimestre, porém, estão abaixo dessa linha: uma única baixa contábil de US$ 9,89 bilhões levou a margem operacional da empresa a 20%, contra 40% no mesmo trimestre de 2025, e um investimento de US$ 34,91 bilhões em três meses deixou a geração de caixa livre negativa.
"Nossos investimentos estão dando retorno, o negócio principal está forte e estamos vendo velocidade em todas as frentes", disse Mark Zuckerberg, fundador e presidente-executivo da Meta.
A baixa contábil
Os US$ 9,89 bilhões se referem a um acordo fechado em agosto de 2026 com 52 procuradores-gerais estaduais, em processos sobre saúde mental de adolescentes e redes sociais. O valor foi lançado integralmente no terceiro trimestre e é a razão pela qual dois dos principais indicadores apontam para lados opostos.
O resultado operacional caiu 37%, para US$ 12,99 bilhões. O lucro líquido, em contrapartida, somou US$ 9,86 bilhões, contra US$ 2,71 bilhões no terceiro trimestre de 2025, e o lucro por ação diluído foi de US$ 3,83, contra US$ 1,05. Excluídos a baixa e seus efeitos fiscais, a Meta calcula um lucro por ação ajustado de US$ 7,40.
A empresa elevou a estimativa de despesas totais de 2026 para algo entre US$ 175 bilhões e US$ 179 bilhões, para absorver o acordo. Ainda espera que o resultado operacional do ano fique acima do de 2025, descontada a baixa.
O gasto
Os investimentos em ativos, incluindo o pagamento do principal de arrendamentos financeiros, foram de US$ 34,91 bilhões no trimestre, cerca de 80% mais do que um ano antes, e de US$ 85,8 bilhões no acumulado do ano. A geração de caixa livre foi negativa em US$ 2,1 bilhões. A previsão de investimento para o ano inteiro foi estreitada para US$ 135 bilhões a US$ 145 bilhões, de uma faixa que começava em US$ 130 bilhões.
O quadro de funcionários seguiu na direção oposta: 66.775 empregados no fim de setembro, 15% menos do que um ano antes. A média de pessoas que usam diariamente os aplicativos da empresa foi de 3,64 bilhões em setembro, alta de 3%, com receita média de US$ 17,72 por usuário. A divisão Family of Apps teve receita de US$ 64,2 bilhões e resultado operacional de US$ 17,1 bilhões; a Reality Labs teve receita de US$ 443 milhões e prejuízo de US$ 4,1 bilhões. As perdas dessa divisão devem somar de US$ 18 bilhões a US$ 19 bilhões em 2026 e recuar para cerca de US$ 15 bilhões em 2027.
Para o trimestre em curso, a Meta projeta receita de US$ 73 bilhões a US$ 76 bilhões.
Uma terceira classe de ações
O conselho também aprovou uma ação ordinária classe C, com listagem em bolsa e sem direito a voto, por meio de uma mudança no estatuto que entra em vigor em 19 de janeiro de 2027, e declarou uma bonificação única de uma ação classe C para cada ação classe A e classe B em circulação. As datas de corte e de pagamento ainda não foram definidas, e a bonificação depende da aprovação da mudança no estatuto.
A Meta espera que, depois disso, as ações classe A passem a ser negociadas como se tivesse havido um desdobramento de duas para uma. O poder de voto não se altera: as novas ações não têm nenhum, de modo que a relação entre as classe A e as classe B, que concentram o controle, continua a mesma. A empresa também firmou com Zuckerberg o que chama de Founder Alignment Agreement (acordo de alinhamento do fundador), que trata da venda das ações classe C que ele vai receber, de sua permanência no cargo e de futuras bonificações em classe C.
As ações fecharam o pregão regular a US$ 697,43, alta de 0,46%, e subiram cerca de 3,8% no after market, a US$ 723,93.
Com informações do material de relações com investidores da Meta e do Investing.com.




