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Política

Machado diz que os Estados Unidos a excluíram das negociações de Caracas e anuncia volta à Venezuela

Em entrevista ao New York Times, a líder opositora acusou de "corrupção obscena" o empresário Alejandro Betancourt, sócio de Washington em um acordo por cerca de um quinto das reservas de petróleo venezuelanas.

Por Redação RecortNews
María Corina Machado em entrevista à imprensa na Ordem dos Advogados de Valencia, na Venezuela, em outubro de 2023.
María Corina Machado em entrevista à imprensa na Ordem dos Advogados de Valencia, na Venezuela, em outubro de 2023.Foto: SantanaZ/Wikimedia Commons, CC0

A líder da oposição venezuelana María Corina Machado afirmou que o governo dos Estados Unidos a manteve fora das negociações que reuniram nesta semana, em Caracas, a administração da presidenta em exercício, Delcy Rodríguez, e um setor da oposição. Ela disse isso em entrevista ao jornal americano The New York Times, publicada na quinta-feira, 15 de outubro de 2026 — e a deu de fora do país: Machado não consegue voltar à Venezuela há meses.

A declaração marca um distanciamento público de Washington por parte de quem, até este ano, era a figura que a política americana para a Venezuela tomava como referência. Em janeiro, depois da captura de Nicolás Maduro por forças americanas no dia 3, o presidente Donald Trump descartou Machado como sucessora e apoiou a continuidade do chavismo sob Rodríguez.

Um sócio no petróleo no centro da reclamação

Machado dirigiu a parte mais dura da entrevista ao empresário Alejandro Betancourt, novo sócio de Washington no setor de energia. Acusou-o de "corrupção obscena" e apontou-o como um dos principais responsáveis pelo sofrimento do país. Betancourt aparece ligado a um acordo com a administração Trump para controlar cerca de um quinto das reservas de petróleo venezuelanas, e mantém contratos no setor.

A opositora disse que Betancourt não seria um sócio viável em um governo chefiado por ela, mas pôs um limite nessa objeção: afirmou que respeitaria os contratos de petróleo assinados no processo atual desde que cumpram a lei venezuelana. Pelo seu argumento, o que falta para atrair investimento não são contratos, e sim segurança, estabilidade e legitimidade.

"Antes do que imaginam"

Sobre a volta, Machado foi breve: voltará à Venezuela "antes do que imaginam", para mobilizar seus apoiadores com vistas a futuras eleições. Em setembro, três países negaram autorização de pouso a um voo com o qual ela tentou entrar no país.

Ela também apresentou o que fazer com as denúncias de abusos do período em curso: sustentou que os funcionários acusados de violar direitos humanos sob o governo de Rodríguez devem responder à Justiça, e propôs uma comissão da verdade independente que reúna os depoimentos das vítimas e organize reparações.

A resposta de Washington

O Departamento de Estado americano rejeitou a versão da exclusão: afirmou que o partido de Machado, o Vente Venezuela, foi convidado a participar das conversas, e que ela tem todo o direito de entrar em seu país quando quiser.

Machado venceu as primárias da oposição em 2023 e, impedida de disputar, apoiou a candidatura de Edmundo González Urrutia na eleição presidencial de 2024. Em 2025, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

Com informações do The New York Times, da EFE, do Infobae e do BioBioChile.