A líder da oposição venezuelana María Corina Machado afirmou que o governo dos Estados Unidos a manteve fora das negociações que reuniram nesta semana, em Caracas, a administração da presidenta em exercício, Delcy Rodríguez, e um setor da oposição. Ela disse isso em entrevista ao jornal americano The New York Times, publicada na quinta-feira, 15 de outubro de 2026 — e a deu de fora do país: Machado não consegue voltar à Venezuela há meses.
A declaração marca um distanciamento público de Washington por parte de quem, até este ano, era a figura que a política americana para a Venezuela tomava como referência. Em janeiro, depois da captura de Nicolás Maduro por forças americanas no dia 3, o presidente Donald Trump descartou Machado como sucessora e apoiou a continuidade do chavismo sob Rodríguez.
Um sócio no petróleo no centro da reclamação
Machado dirigiu a parte mais dura da entrevista ao empresário Alejandro Betancourt, novo sócio de Washington no setor de energia. Acusou-o de "corrupção obscena" e apontou-o como um dos principais responsáveis pelo sofrimento do país. Betancourt aparece ligado a um acordo com a administração Trump para controlar cerca de um quinto das reservas de petróleo venezuelanas, e mantém contratos no setor.
A opositora disse que Betancourt não seria um sócio viável em um governo chefiado por ela, mas pôs um limite nessa objeção: afirmou que respeitaria os contratos de petróleo assinados no processo atual desde que cumpram a lei venezuelana. Pelo seu argumento, o que falta para atrair investimento não são contratos, e sim segurança, estabilidade e legitimidade.
"Antes do que imaginam"
Sobre a volta, Machado foi breve: voltará à Venezuela "antes do que imaginam", para mobilizar seus apoiadores com vistas a futuras eleições. Em setembro, três países negaram autorização de pouso a um voo com o qual ela tentou entrar no país.
Ela também apresentou o que fazer com as denúncias de abusos do período em curso: sustentou que os funcionários acusados de violar direitos humanos sob o governo de Rodríguez devem responder à Justiça, e propôs uma comissão da verdade independente que reúna os depoimentos das vítimas e organize reparações.
A resposta de Washington
O Departamento de Estado americano rejeitou a versão da exclusão: afirmou que o partido de Machado, o Vente Venezuela, foi convidado a participar das conversas, e que ela tem todo o direito de entrar em seu país quando quiser.
Machado venceu as primárias da oposição em 2023 e, impedida de disputar, apoiou a candidatura de Edmundo González Urrutia na eleição presidencial de 2024. Em 2025, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.
Com informações do The New York Times, da EFE, do Infobae e do BioBioChile.




