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Política

Milei disse em Washington que o risco-país está "em torno de seiscentos" no mesmo dia em que o índice bateu 640 pontos

O indicador do JP Morgan subiu 11 pontos-base e fechou em 622, na terceira alta diária seguida, dois dias depois de o FMI cortar para 2,1% a previsão de crescimento argentino em 2026.

Por Redação RecortNews
O presidente argentino Javier Milei, em imagem de março de 2026.
O presidente argentino Javier Milei, em imagem de março de 2026.Foto: Elekes Andor/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

O presidente da Argentina, Javier Milei, encerrou na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, sua viagem a Washington com um discurso na Câmara de Comércio dos Estados Unidos em que defendeu seu programa de ajuste e descreveu o risco-país como uma história de sucesso em andamento. "Hoje está em torno de seiscentos", disse, atribuindo a queda — de cerca de 3.000 pontos-base quando assumiu — à rapidez com que seu governo alcançou o déficit zero.

Enquanto ele falava, o indicador andava na direção contrária. O índice de risco-país calculado pelo JP Morgan chegou pela manhã a 640 pontos-base, o nível mais alto desde 2 de outubro, quando havia tocado 655.

O que o índice marcou

O risco-país fechou o dia em 622 pontos-base, 11 acima dos 611 de quarta-feira: uma alta diária de 1,8% e a terceira consecutiva. Na segunda-feira, o índice estava em 589.

Por trás do movimento está a dívida soberana em dólares. Nos primeiros negócios, o Bonar 2041 (AL41D) caiu até 1,4% e o Global 2046 (GD46D), cerca de 0,5%; no fechamento o quadro ficou misto, com o Bonar 2030 (AL30) em -0,09%, o Bonar 2035 (AL35) em -0,32%, o Global 2035 (GD35) em -0,07% e o Global 2030 (GD30) em +0,09%. Durante o discurso de Milei, os títulos soberanos em dólares caíam 0,7% em média, segundo o Infobae.

Vale lembrar como o indicador é construído: o risco-país mede a diferença entre o rendimento da dívida argentina e o do título do Tesouro americano. Quando o preço de um título argentino cai, seu rendimento sobe e a diferença se abre. Naquela quinta-feira, o rendimento do título americano de dez anos caiu mais de 10 pontos-base, para perto de 5,08%, o que também alarga a conta.

A renda variável foi em outra direção: o S&P Merval fechou em alta de 0,82% em pesos, puxado pelos bancos, e os ADRs argentinos em Wall Street se recuperaram das quedas iniciais — o Grupo Supervielle subiu cerca de 4,8%; o BBVA, 3,4%; e o Grupo Financiero Galicia, 2,6%.

O contexto da semana

A alta veio dois dias depois de o Fundo Monetário Internacional cortar sua previsão de crescimento da Argentina em 2026 de 3,5% para 2,1%, manter a de 2027 em 3,5% e elevar a projeção de inflação deste ano de 30,4% para 32,5%. A diretora-geral do organismo, Kristalina Georgieva, manifestou nesta semana confiança em que a Argentina possa pagar o Fundo antes do previsto.

O resto do discurso

Milei afirmou também que o país não tem um problema de emprego: situou a taxa natural histórica de desocupação perto de 10% e sustentou que hoje ela está abaixo de 8%. Sobre a lentidão do investimento, argumentou que ela reflete um mercado de capitais em que quem toma empréstimo precisa de garantias: os que haviam acumulado ativos estão sendo deslocados e os que chegam ainda não têm colateral suficiente.

Elogiou os ministros Sandra Pettovello e Federico Sturzenegger e garantiu que os argentinos vão respaldar seu modelo nas urnas em 2027. No evento, recebeu um prêmio chamado "Campeão global da livre empresa".

Acompanharam-no a secretária-geral da Presidência, Karina Milei; o chanceler Pablo Quirno; e o embaixador argentino junto à Casa Branca, Alec Oxenford. O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, estava previsto para abrir o evento, mas não compareceu.

Com informações do Infobae, do La Jornada Web, do MDZ Online e do C5N.