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Política

Mais de 100 cartas suspeitas foram enviadas a órgãos eleitorais e a parlamentares dos EUA, 18 dias antes da eleição

O FBI e o serviço de inspeção postal confirmaram a investigação em 15 de outubro. Gabinetes no Arizona e em Oklahoma foram evacuados, e cartas para outros seis estados foram interceptadas.

Por Redação RecortNews
A Executive Tower, no complexo do Capitólio estadual do Arizona, em Phoenix, em dezembro de 2023. O chefe eleitoral do estado disse que seu gabinete foi evacuado em 15 de outubro de 2026, após a chegada de uma carta com pó branco.
A Executive Tower, no complexo do Capitólio estadual do Arizona, em Phoenix, em dezembro de 2023. O chefe eleitoral do estado disse que seu gabinete foi evacuado em 15 de outubro de 2026, após a chegada de uma carta com pó branco.Foto: w_lemay/Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

O FBI (a polícia federal americana) e o U.S. Postal Inspection Service (o serviço de inspeção postal dos Estados Unidos) informaram em 15 de outubro de 2026 que investigam uma onda de cartas suspeitas enviadas a órgãos eleitorais e a gabinetes do Congresso em todo o país, algumas delas contendo o que as autoridades descrevem apenas como um pó branco não identificado.

Três autoridades eleitorais informadas sobre a investigação disseram ao site Votebeat que mais de 100 cartas foram remetidas a pessoas e organizações pelo país. As agências federais não confirmaram um total.

O problema está na data: as cartas chegaram 18 dias antes da eleição de meio de mandato de 3 de novembro, com a votação antecipada já em curso em boa parte do país.

O que as agências disseram

O FBI afirmou que investiga "cartas suspeitas enviadas a vários endereços em todo o país" e que "algumas das cartas continham uma substância desconhecida". A agência não confirma casos individuais enquanto a investigação está aberta.

Brendan Donahue, inspetor-chefe adjunto do serviço de inspeção postal, disse à CBS News que entre os destinatários estavam "gabinetes de secretários de Estado e os órgãos eleitorais ligados a eles" — nos Estados Unidos, o secretário de Estado é a autoridade que chefia a administração eleitoral de cada estado. Segundo ele, investigadores interceptaram parte das cartas em trânsito. Donahue não deu números nem comentou se as remessas estão ligadas entre si.

"Qualquer ameaça ou ataque a uma autoridade eleitoral é inaceitável", afirmou.

Para onde as cartas foram

Abertas e depois testadas. Na Louisiana, a secretária de Estado Nancy Landry disse que uma funcionária da divisão eleitoral abriu um pacote com pó branco; os testes feitos pela polícia "não encontraram evidência de substâncias nocivas", e ninguém se feriu. Em Oklahoma, a junta eleitoral estadual recebeu um envelope com pó branco suspeito e evacuou o prédio; o secretário Paul Ziriax disse que não houve feridos.

Evacuados. O secretário de Estado do Arizona, Adrian Fontes, disse que uma carta com pó branco chegou a seu gabinete na tarde de 15 de outubro, forçando a evacuação enquanto equipes de material perigoso isolavam o prédio. "Não vamos nos deixar intimidar e deixar de fazer nosso trabalho em nome dos eleitores do Arizona", declarou.

Recebidos e entregues sem abrir. A Wisconsin Elections Commission (a comissão eleitoral do Wisconsin) recebeu uma remessa com um pó não identificado, depois considerado inofensivo; a administradora Meagan Wolfe disse que o episódio "não vai nos abalar" e não afetaria a eleição geral. No Nebraska, os funcionários não abriram o envelope e o entregaram ao FBI. O secretário de Estado Bob Evnen disse que era o segundo envelope desse tipo recebido por seu gabinete — o primeiro chegou em 2024.

Interceptados antes da entrega. Cartas endereçadas a gabinetes em Ohio, New Hampshire e Washington foram barradas pela polícia, e o serviço postal bloqueou uma carta suspeita na Pensilvânia em 14 de outubro. O FBI informou ao gabinete do secretário de Estado de Connecticut que uma carta havia sido interceptada; o escritório regional da agência disse ter registrado "múltiplas interceptações". Cartas destinadas à Geórgia, a Idaho e à Dakota do Sul também foram interceptadas, segundo os relatos.

O secretário de Estado de Ohio, Frank LaRose, classificou as ameaças como "covardes".

Congresso

O sergeant at arms do Senado — o cargo responsável pela segurança da Casa — avisou os funcionários do Congresso sobre a investigação. Entre os destinatários estavam os gabinetes dos senadores Alex Padilla, democrata da Califórnia, e Chris Murphy, democrata de Connecticut. Josh Sorbe, porta-voz de Murphy, disse que o gabinete foi informado pelo FBI, pelo sergeant at arms e pela Capitol Police (a polícia do Congresso), e que "o senador e a equipe não estavam em perigo imediato".

Não é a primeira vez

Investigadores federais conduziram apuração semelhante antes da eleição de 2024, quando pacotes suspeitos chegaram a autoridades eleitorais de pelo menos seis estados. O gabinete de Evnen, no Nebraska, foi um deles.

O contexto

As cartas chegaram em meio a uma onda de votação antecipada. Mais de 4 milhões de americanos já tinham votado até 14 de outubro, com recordes caindo em vários estados, segundo o Spectrum News. A Geórgia registrou mais de 188 mil votos no primeiro dia de votação antecipada, em 13 de outubro — recorde estadual para uma eleição de meio de mandato, de acordo com a secretaria de Estado local —, e o chefe eleitoral de Ohio disse que a votação antecipada quase quadruplicou em relação a quatro anos atrás.

É essa combinação que faz das cartas mais do que um incômodo para os gabinetes que as recebem. Cada evacuação deixa um órgão eleitoral fora do ar por horas exatamente quando ele está processando votos — um custo imposto pelas remessas, com ou sem substância perigosa dentro dos envelopes.

Com informações de Votebeat, CBS News e Spectrum News.